POEMAS




Os Amigos

Os amigos amei

despido de ternura

fatigada;

uns iam, outros vinham,

a nenhum perguntava

porque partia,

porque ficava;

era pouco o que tinha,

pouco o que dava,

mas também só queria

partilhar

a sede de alegria —

por mais amarga.

Eugénio de Andrade



Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo

meu irmão minha amêndoa meu amigo

meu tropel de ternura minha casa

meu jardim de carência minha asa.




Por ti morro e ninguém pensa. Mas eu sigo

um caminho de nardos empestados

uma intensa e terrífica ternura

rodeado de cardos por muitíssimos lados.




Meu perfume de tudo minha essência

meu lume minha lava meu labéu

como é possível não chegar ao cume

de tão lavado céu?




Ary dos Santos

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